14 de jul de 2013

A nossa luta é todo dia contra o machismo, racismo, homofobia e nós mesmos

 Ontem (13/07/2013) participei da minha primeira Marcha das Vadias. E foi bonito. Tantas pessoas lindas, fortes, lutando contra tudo aquilo que já te prendeu um dia, lutando pelas suas mães, avós e irmãs. Lutando pelo que deveria ser ÓBVIO, que é o respeito e a igualdade entre todxs, que infelizmente ainda não existe. Lutando contra os padrões, lutando contra padrões que nos perseguem todos os dias, de todos os lugares, levantando-se contra o machismo. Foi lindo. 

 "Mas gente, vocês podem votar, tem mulher trabalhando como motorista de ônibus, a presidenta é mulher, pra que essa luta toda?" 

 Olha, é TANTA coisa errada que é difícil explicar tudo. 

 A mulher precisou LUTAR pelo direito de votar, para participar das escolhas políticas que influenciam as suas vidas e que criam leis que devem ser seguidas por todxs. Não te parece injusto? A mulher que dirige um ônibus, ou faz um trabalho que antes era trabalho exclusivo para homens, vai ser muito mais cobrada que um homem, se cometer um erro, vão dizer que é porque ela é mulher (como se isso fosse um insulto do qual deveríamos nos incomodar em ser). A presidenta é mulher. Okay. Em CENTO E VINTE E QUATRO anos de república, essa é a PRIMEIRA presidenta. É até esquisito para o nosso vocabulário usar presidenta, de tanto tempo que essa palavra ficou guardada nas gavetas. 

 A gente cresce aprendendo que boneca é coisa de menina, carrinho é coisa de menino, azul é cor de menino, rosa é cor de menina. E ainda é assim. Tem kinder ovo pra menina e para menino. E quem quiser brincar com os dois? Vai ser errado? Seu filho não pode brincar de ser pai? Sua filha não pode brincar de corrida de carrinhos? Claro que pode. Boneca devia ser apenas boneca e não brinquedo de menina. 

 E então crescemos mais um pouco e somos bombardeados com mais divisões. Menina não pode namorar, perder a virgindade, sair de casa de noite. Meninos devem. Mas e se a menina quiser? E se o menino não quiser? E se eles não se encaixarem nesse padrão normativo? Eles vão estar errados? Não. 

 A televisão mostra que devo ter meu cabelo liso, ondulado, a moda agora é usar salto, usar preto, usar brilho, ter nariz assim, ter peito médio, ter bunda grande, ter pele clara, diz que devo me preparar para o verão. Se preparar para o verão é o cúmulo, né? Como se fosse uma prova importante e você precisasse malhar e ficar que nem a modelo da foto de biquini para ganhar um selo de aprovação. 

 Fica aqui o manual definitivo de como se preparar para o verão: 
 1-Espere o verão chegar.
 2-Pronto. 

 Parece fácil, mas antes de sair gritando nas ruas, a gente luta uma guerra grande com nós mesmxs. De se olhar no espelho e falar: Cara, hoje eu tô demais. De não se encaixar no padrão de corpo e comportamento e SABER que tudo bem. De aprender a não julgar o outro pela roupa, pelo corpo, pela raça, pela opção sexual. 
 
 Eu quero mandar no meu útero. Quero ter poder escolher se quero ser mãe ou não. E assim, tem tanta gente querendo ser mãe e não consegue. E se investissem mais na pesquisa para ajudar essas mulheres? E se o processo de adoção fosse menos burocrático? 

 A luta continua depois da marcha. Lutar todos os dias. Contra o machismo enraizado dentro de nós. Contra essa mídia caga-regra. Lutar contra, mas lutar junto também, conversar com as pessoas, fazer pensar e refletir. Sair da inércia. Não é normal e não vai ser normal nunca estuprar alguém. Não é pra ser notícia e depois virar estatística. E nem é piada. Estupro corretivo não existe, estupro porque ela facilitou não é justificativa. A gente sabe disso, mas tem muita gente que não. É aí que a gente deve chegar. Conversar na escola, em casa e na rua (Por isso marchamos!). 

  Grite! Sua voz vai te libertar. <3